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13jun 2013

Finalmente: A Midwife

Postado por às em Canadá, Gravidez, Médicos

Eu PRECISO falar sobre a midwife. <3
Desde que descobri que estava grávida queria uma midwife (que é a enfermeira obstétrica no Brasil, alguns chamam de parteira, mas é uma parteira com formação academica resumindo toscamente), porém aqui no Canadá você precisa ir primeiro ao médico de família e só depois ele te indica um obstetra ou midwife, no meu caso foi na 20a semana. Quando minha médica perguntou se eu queria midwife ou obstetra perguntei qual era a diferença e ela resumiu falando que obstetra tem acho que 8 anos de formação e a midwife 4, então, a pessoa aqui mudou logo de idéia e escolheu obstetra.
Porém, conversando mais com as pessoas, eu sempre ficava com pulga atrás da orelha sobre não ter escolhido a midwife, mas ok. Até que uma grávida que conheci aqui pariu com uma obstetra super fofa, mas disse pra mim que se pudesse voltar atrás que teria com midwife por causa do tempo que a midwife fica com você no trabalho de parto (o obstetra só fica no expulsivo e as chances de você não pegar o próprio médico, caso ele não esteja de plantão são grandes, ou seja….). No dia que resolvi mudar pra midwife, chorei bastante com minha insegurança, conversei com uma amiga daqui que tinha tido com midwife e toca meu telefone do consultório da minha médica de família falando o dia e hora da consulta com o OB. Fiquei mega sem graça de falar que não queria mais.. mas como eu teria uma consulta com ela antes, falaria que tinha mudado de idéia.
Conversei com minha médica e ela disse que era tranquilo que a opção era minha e me indicou um grupo de midwives perto de casa. No mesmo dia fui lá e conversei com a menina da recepção que foi uma fofa e disse que infelizmente elas já estavam lotadas pro mês de setembro. Pronto! Meu chão sumiu! Ela me ajudou e me deu 4 opções de centros de midwives que ela confiava. Cheguei em casa e liguei pra uma: lotada, pra outra, lotada. Chorei mais. E toca meu telefone, era a recepcionista do primeiro centro dizendo que tinha achado uma midwife pra mim e que amava ela e que inclusive iria fazer um curso com ela em setembro, que provavelmente a gente se encontraria. Que pessoa fofa!!!! Ela não tinha a menor obrigação de fazer isso por mim e conseguiu uma. <3
Como era sexta, os centros de midwives geralmente não funcionam e sai deixando um bando de recados em secretárias eletronicas, inclusive nessa que ela disse que tinha vaga.
Chegou na segunda, meu telefone começa a tocar, eram os centros ligando pra dizer que não tinham vagas e cada um me indicava outros (e sempre no meio falavam bem daquele centro que disse pra recepcionista que tinha).
Resolvendo mais problemas, pensei: só falta doula ser dificil também. Liguei pra doula brasileira que me indicaram e ela foi a mais fofa do mundo também me indicando outros zilhões de centros de midwives e até me disse de um que era justamente voltado pra imigrantes que já chegaram grávidas e que tinham dificuldade de encontrar midwife.
No dia seguinte, liga o centro que disseram que tinha vaga (aquele da recepcionista), falando que tinham vaga mesmo e me fizeram varias perguntas como: onde quero ter meu filho, quanto tempo ele tava, qual o nome do meu marido, etc. E marcaram a consulta. UFA!
Resolvi cancelar a consulta com o OB e pronto, lá fomos nós na primeira consulta com a midwife que o governo aqui de BC paga. Fiquei sabendo que em Alberta, por exemplo, midwife não é coberto.
Chegamos lá e fomos recebidos num clima mega aconchegante, o hall de entrada era como se fosse uma sala moderna, com cafezinho e chazinho, cheio de revistas e fotos fofas de bebês.

Entrando mais um pouco, tinha uma sala onde elas fazem o papa nicolau e a outra que era o lugar da consulta. Primeiro que não é maca, é divã, segundo que não é chão frio, são tapetes fofinhos e gostosos. Sentamos no divã e começamos a conversar.
Ela disse tanta coisa (1 hora de bate papo!), disse que midwife é pra gravidez de baixo risco que é a maioria, alto risco é pra OB, daí marido, que não tinha dúvida nenhuma, começou fofamente a perguntar umas 9283776296 de coisas:
_ Mas quando é alto risco?
_ Alto risco é quando tem diabetes gestacional que tem que tomar insulina, quando é gravidez de gêmeos, quando tem pressão alta não controlável, etc.
_ Mas e se a grávida que é de baixo risco se tornar de alto risco?
_ Nós indicamos um OB caso precise, mesmo assim vamos continuar acompanhando normalmente em conjunto, mas o parto será feito pelo OB.
_ A Carol tem medo de ter hemorragia porque ela doa sangue muito rápido. Isso é algum problema? (Sim! Ele falou por mim!!! hahahahah)
_ Sua coagulação é normal ou rápida? – disse ela olhando pra mim.
_ É. Já fiz o teste é é normal.
_ Então não tem com o que se preocupar :D
Aproveitei o papo dos dois e disse pra ela que eu só não teria normal se o baby não tivesse virado. Daí ela disse que quando isso acontece, lá pela 35a semana, eu vou com um OB indicado por elas pro hospital e o OB vira meu bebê e pronto! Vou pra casa com meu bebê de cabeça pra baixo e depois faço o parto normalmente. :D

Depois falou um pouco de como funciona o processo de quando eu entrar na hora do parto, que ela vai pra minha casa e depois juntas vamos pro hospital, caso eu queira em hospital (SIM!). Falou que quando eu sair do hospital, ela vai na minha casa no dia seguinte me ajudar a amamentar, ver como tá minha cabeça e meu corpo e continua nos acompanhando por 6 semanas!! <3 Disse também que tudo quem decide sou eu, que elas explicam tudo pra eu poder tomar minhas decisões. Falei que não queria tomar decisão nenhuma porque sou mega insegura, daí ela disse que não tinha problema, que muita gente também preferia assim, que então ela iria dizer pra mim o que a maioria das pessoas fazem, ou que elas recomendam. Sempre me deixando mais tranquila possível. Falou também que seria ideal eu pensar em ter uma doula, daí já disse que tinha uma. :D

Depois ela mediu meu útero com a trena, me mostrou com meu dedo onde estava o final e início dele, me fez senti-lo (lógico que não senti nada, mas falei que estava sentindo tudo ahahhah). Depois pegou um aparelhinho pra ouvir o coração e falou pro marido gravar (geralmente não oferecem isso aqui), estava 152 bpm, indo contra todas as teorias dos batimentos cardíacos de meninos. Tirou minha pressão e pronto!! AMEI!!!

Fui ao banheiro e enquanto isso, ela ensinou o marido como ouvir o coração do baby com um rolo de papel toalha!!!! Adoro essa tecnologia canadense ahahahah, mas que só dá pra ouvir a partir da 30a semana, ou seja, na próxima consulta vamos levar o rolo pra ela ensinar melhor (daí eu passo pra vocês).
Na verdade ela não, uma outra. Elas trabalham em equipe e são 3 midwives que vão nos acompanhar pra não correr risco de nenhuma delas não estar disponível na hora do parto. Por isso todas as outras estavam lotadas.

Enfim, marido disse que assim que entrou no consultório achou hipponga demais, confortável demais pro gosto dele, mas que depois ele adorou e ficou mega tranquilo quando eu disse que tinha gostado. Eu já sabia que seria assim porque já tinha conversado antes com uma amiga e ela tinha me dito que o ambiente era mega aconchegante. E digo mais: super trocaria minha casa pelo consultório delas :D

 

24abr 2013

Sistema de Saúde do Canadá – A Ultra

Postado por às em Canadá, Gravidez, Médicos

Continuando o post anterior, marcamos a ultra pra 8a semana e lá fomos nós.
Chegando lá, um lugar mega simples, verde bebê (essa cor na parede me dá agonia, acho super hospital), somente chineses (sim! Era em Chinatown) e um árabe (quem disse que aqui tem canadense?), mega simpáticos e colocaram a gente numa salinha de espera. Achei que fosse demorar porque estava cheio, mas fomos atendidos exatamente na hora que marcamos! :-O.
A mocinha da ultra pediu pro marido ficar do lado de fora (oi?!) que depois ela iria chamá-lo. Quase morri do coração. Mas ela explicou que era pra ver tudo direitinho primeiro, só ela, depoooois ia chamar ele e mostrar pra gente a criatura.
AH! Antes de tudo, pediram pra eu beber 2 copos de água 1 hora antes de fazer a ultra. Quase morri do coração porque água de manhã me enjoa (grávida ou não) e daí eu tinha procurado na internet o por quê da água em sites brasileiros como Baby Center, entre outros que tem esses fóruns de grávida e sempre falavam que era “coisa antiga” e “ultrapassada”. Pois bem, é tão ultrapassado, que eu tinha me preparado toda pra ela meter a ultra na minha perereca quando a técnica somente levantou minha blusa e começou a fazer a ultra!!! Sim! É “tão ultrapassado” que não foi intravaginal!! Foi que nem filme!! Alta tecnologia, beu abor!
Depois de mexer tudo, apertar botões, etc, ela chama Alan.
Estava tudo combinado:
_ Mo! Grava a ultra porque eles não dão a fita, tá?!
_ Tá! Eu gravo…
Alan entra na sala falando em português no telefone com a mãe que queria saber do exame.. desliga o celular e na hora de gravar: PÁ!! UM FLASH!!
A menina da ultra virou pro marido with lasers e disse:
_ Não precisa gravar, eu vou dar foto para vocês no final. Presta atenção (ESPORROOOO MADE IN CHINA!!!)!
Ela virou um pouco o monitor pra mim e mostrou um borrinho na tela com uma luz saltitante no meio e disse:
_ Isso aqui é o coração.
Ligou o som e ficamos com cara de tontos (a verdade é que eu achei que era meu coração e que ela tinha errado).
Daí ela disse que estava tudo bem, que era só um bebê e que os batimentos estavam bem fortes. Deu pra gente 3 fotinhos do borro e liberou a gente. Daí eu perguntei:
_ Mas e quantos batimentos por minuto o bebê tem?
_ Isso só a médica pode dizer, pergunta pra ela. Vai estar com ela a partir de amanhã.
Hunf.. saí de lá sem saber a especulação se era menino ou menina (aquela história de que acima de 150bpm era menina e abaixo menino).

Uma coisa interessante que acontece aqui é que você não pega os resultados dos exames.. todos os resultados vão direto pro seu médico de família ou especializado. Os meus exames todos vão tanto pra minha médica quanto pro hospital que vou parir o baby. Isso é muito bom pra mim que sempre vejo os resultados antes de ir pro médico e fico martelando na minha cabeça mil coisas e procurando na internet caso tenha algo diferente que muitas vezes não é nada demais.

No domingo seguinte da ultra fomos à médica (sim, ela atende domingo :D) e ela disse que está tudo bem com o baby, que ele estava mesmo com 8 semanas (me deu parabéns falando que conheço meu corpo ahah) e que no exame de sangue eu estava com um pouco de anemia e tascou ferro pra eu tomar.
Perguntei também dos batimentos cardíacos e ela disse que estava 180bpm. Arregalei o olho porque tinha certeza que era menino e de acordo com a lenda, tava dando menina! Como assim?!
Nessa consulta também ela disse pra nós os próximos passos… e o que eu entendi foi:
_ Entre as 10a e 14a semanas, você vai fazer um exame de sangue nesse hospital (BC Woman) pra saber se seu bebê tem sindrome de Down ou outras duas síndromes, porque como você está com anemia, precisamos ver isso direitinho, mas você não tem mais de 35 anos, então não precisa ficar preocupada, mas precisamos fazer esse exame.
E o que ela falou na verdade:
_ Entre as 10a e 14a semanas, você vai fazer um exame de sangue nesse hospital (BC Woman) pra saber se seu bebê tem sindrome de Down ou outras duas síndromes, precisamos ver isso direitinho, mas você não tem mais de 35 anos, então não precisa ficar preocupada, mas precisamos fazer esse exame. E vamos acompanhar também essa sua anemia com outros exames de sangue.
Óbvio que isso só fui entender depois que saí da clínica desesperada e o Alan que me explicou. UFA!
E me deu o pedido do exame de sangue pra fazer depois no hospital.

Ainda vou falar mais sobre como é ser grávida aqui e ser ansiosa/curiosa.. duas coisas incompatíveis pra medicina canadense de BC.

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